quarta-feira, 12 de setembro de 2007

MUDANÇA...

Flores
Toni Belotto

Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo
A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem


Possuo flores de plástico, que me machucam, não por possuirem espinhos, mas por nunca morrerem. São flores que por mais que nós nos afastamos elas insistem em vir atrás de nós... São belas, eu acho, mas de longe, Quando muito perto você percebe que elas não têm cheiro, não brilham, não morrem, não atraem beija-flor, apenas ficam ali, e criam uma imagem que fica em sua memória e não sai nunca mais... Essas flores não balançam com o vento, não crescem, não brotam, simplesmente estam alí, são de plástico, são sem vid, e onde você vai encontra elas... Belas e falsas como sempre... Não precisam de água, de terra, de cuidados... è até certo ponto conveniente ter uma flor de plástico, mas ela gruda em você e nunca mais você consegue se livrar dela... E você começa a viver em torno desta flor, do ódio que você sente por ela e pela tamanha angústia que ela te dá... Não há como se livrar das flores de plástico... O máximo que dá pra fazer é tentar não olhar para elas, mas ao menos uma vez no dia você vai se lembrar que aquela flor está lá...

Um comentário:

Raphael Douglas disse...

"Possuo flores de plástico, que me machucam, não por possuirem espinhos, mas por nunca morrerem."

Rpz, de onde vc tira essas viagens?
Muito marcante esse pensamento.